Elaborado
por: Rodrigo Côrtes
A
análise de investimento para operações em mercados de bolsas
pode ser agrupada em correntes de pensamento que seguem duas
"escolas" distintas, a saber: "Escola Fundamentalista" e "Escola
Técnica".
A
Análise Fundamentalista, no caso das ações, foca na
determinação do valor da ação de uma empresa, a partir de
dados financeiros da empresa, dados macro-econômicos, política
monetária e outras informações que irão se refletir nos preços
das ações. Por outro lado, a Análise Fundamentalista, quando
utilizada para mercadorias, irá se concentrar em três itens:
produção, estoque e consumo.
A
escola fundamentalista, para as ações, pressupõe que o mercado
de capitais não é eficiente em termos de informação ao admitir
que os preços correntes das ações não refletem instantaneamente
todas as informações relevantes sobre as empresas emissoras.
Desta forma, a determinação do valor da empresa, também designado
de valor intrínseco daação, funciona como principal variável
de decisão. O processo decisório comprar/vender dessa escola
de análise de investimento envolve a avaliação do valor teórico
da firma, o qual corresponde ao seu "preço justo" dando origem
ao preço corrente de mercado de suas ações.
A
escola fundamentalista analisa a empresa (geração de lucros
e suas taxas de crescimento, receitas, custo de capital, dividendos,
investimentos futuros, capacidade gerencial) e, de forma macro,
a economia do país bem como os seus comportamentos setoriais.
Para
a escola fundamentalista, o preço de uma ação (P) é em função
do lucro esperado (L), dos investimentos realizados e a realizar
pela empresa (I) e por fontes de financiamento (F).
P
= f(L, I, F)
Desta
forma, se:
a) P > Pm (Pm = preço mercado), a ação encontra-se sub-avaliada,
indicando compra;
b) P < Pm, a ação encontra-se sobre-avaliada, indicando venda.
A
análise fundamentalista analisa todos os fatores relevantes
que afetam o preço do ativo com o intuito de determinar o
valor intrínseco do mesmo. O valor intrínseco é determinado
pelas leis da oferta e demanda, ou seja, se o preço do ativo
estiver abaixo do valor intrínseco, o mercado estará sub-valorizado
("oversold") e é indicado comprar, e se o preço estiver acima
do valor intrínseco, o mercado estará sobre-valorizado ("overbought")
e é indicado vender.
As
características principais da análise fundamentalista são:
a) Tentar medir o valor intrínseco de um ativo, ou seja, determinar
um valor adequado que reflita a situação da empresa no presente
e as suas expectativas futuras;
b) O valor intrínseco inclui fatores difíceis de quantificar
como posicionamento das empresa no mercado;
c) Estudar as questões relativas à economia e perspectivas
do setor a que pertence a empresa;
d) Avaliar como ocorre o gerenciamento da empresa em relação
à concorrência e aos resultados financeiros obtidos, que culminarão
no lucro/ação.
O
analista fundamentalista tende a se especializar em apenas
um grupo de ações (um ou dois setores), não tendo flexibilidade
de análise de um grande número de empresas, devido à particularidade
de cada empresa.
No
caso de aplicações nos mercados de comodities, a análise fundamentalista
irá pesquisar:
a) Qual o consumo projetado de uma determinada mercadoria?
b) Qual o estoque atual desta mercadoria?
c) Qual a produção prevista para o corrente ano?
Em
função das respostas obtidas para estes 3 quesitos, ocorrerá
uma variação nos preços destes ativos para cima ou para baixo,
nas Bolsas de Mercadorias.
A
escola técnica é o estudo dos movimentos passados dos
preços e dos volumes de negociação de ativos financeiros e
commodities em bolsas, com o objetivo de fazer previsões sobre
o comportamento futuro dos preços. Devido à intensa utilização
de gráficos de preços e volumes, este enfoque de análise também
é conhecido como análise gráfica, mas devemos lembrar que
a análise técnica não se resume apenas na leitura de gráficos,
já que podemos elaborar uma planilha eletrônica (utilizando
apenas números e equações) para analisar ações, commodities
e derivativos. Os números de Fibonacci e de W. D. Gann, o
cálculo da média móvel e o IFR são exemplos de ferramentas
que pertencem à análise técnica.

Figura
1: Foto
do site: http://www.gann.co.uk/freesem.htm
Gann Management´s - Free Seminar
Os
preços dos ativos, segundo o enfoque da escola técnica, se
ajustam ao conteúdo das informações, porém não de forma imediata.
O ajuste de preços percorre uma série de etapas, dependendo
da forma de comportamento dos grupos dos "bem informados"
("insiders") no processo de difusão das informações relevantes.
As
características da análise técnica são:
a) Analisa os dados gerados pelas transações: abertura, máximo,
mínimo, fechamento e volume e contratos em aberto, no caso
dos mercados futuros;
b) Analisa as tendências buscando descobrir o caminho futuro
dos preços e determinar objetivos para os preços destes ativos
em sua caminhada (projeções);
c) Identifica ação do ponto de vista emocional no mercado.
Enquanto
a análise fundamentalista estuda as causas do movimento dos
preços, ou seja, o "porquê" do movimento, a análise técnica
estuda o seu efeito. O analista técnico acredita que o efeito
é tudo que ele quer ou precisa saber, pois as razões ou as
causas do movimento dos preços são desnecessárias em suas
análises.
Apesar
dos "puristas" de cada escola estarem em oposição, criticando-se
mutuamente, podemos dizer que existe uma superposição entre
ambas. Usualmente utiliza-se a abordagem fundamentalista para
identificar oportunidades de investimentos (o quê comprar/vender),e
a abordagem técnica para definir o momento de entrada e saída
("timing") de uma operação em bolsa.
Semelhantemente
à análise fundamental, existe na análise técnica também um
elevado componente de intuição que talvez incomode e traga
insegurança aos analistas de visão única de ciências matemáticas.
Mas o comportamento do mercado, já dizia Keynes (1936), contém
forte influência psicológica. Veja-se o que escreveu, com
seu didático bom humor, Brealey e Myers (1992, p:267): "Os
homens de negócios agem freqüentemente de uma forma mais inteligente
do que falam (entre os estudiosos e acadêmicos acontece o
inverso). Tomam decisões certas, mas podem não ser capazes
de as explicar em linguagem financeira e econômica. Muitas
decisões são essencialmente intuitivas".
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