Elaborado
por: Rodrigo Côrtes
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Charles
Dow e seu sócio
Edward Jones fundaram
a "Dow Jones & Company"
em 1882. Muitos
analistas técnicos
e estudantes do
mercado concordam
que, o que chamamos
hoje de análise
técnica tem a sua
origem na teoria
proposta por Dow,
apesar de traders
japoneses já usarem,
nas Bolsas de Mercadorias,
gráficos muitos
anos antes de Dow
ter descrito sua
teoria.
Dow
publicou suas idéias
em uma série de
artigos que ele
escreveu para "The
Wall Street Journal".
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Em
julho de 1884, Dow publicou
o primeiro índice do mercado
de ações, o qual era composto
por 11 ações: nove empresas
do setor ferroviário e
2 industriais. Dow afirmava
que estas 11 ações forneciam
uma boa indicação da "saúde"
da economia do país.
Infelizmente,
Dow nunca escreveu um
livro sobre sua teoria.
Em 1903, um ano após sua
morte, Samuel Nelson compilou
os artigos publicados
por Dow no livro "The
ABC of Stock Speculation",
o qual originou o termo
Teoria de Dow.
Em
1922, Willian Peter Hamilton,
sucessor de Dow no "The
Wall Street Journal",
organizou e publicou os
princípios de Dow no livro
"The Stock Market Barometer".
5.1
Crítica a Teoria de Dow
Alguns
analistas alegam que esta
teoria é atrasada em suas
indicações de quando comprar
ou vender. O sinal de
compra através da teoria
de Dow, geralmente ocorre
na segunda fase de uma
tendência de alta, tão
logo o preço de fechamento
rompe o topo mais recente.
Em
resposta a esta crítica,
deve-se lembrar que Dow
nunca teve a intenção
de antecipar a tendência
do mercado.
5.2
A Teoria
A
teoria de Dow considera
o mercado de títulos variáveis
sob um ponto de vista
exterior ao próprio mercado.
As leis que permitem extrair
as previsões de tendências
de preços, em mercado,
não explicam a formação
dos seus indicadores,
ou seja: a teoria diz
que, antes de todo impulso
do mercado, quer para
uma alta, quer para uma
baixa, aparecem "formações"
identificáveis que os
sinalizam. Entretanto,
nada explica sobre o processo
de geração dessas "formações"
e, muito menos, sobre
as leis internas dos movimentos
oscilatórios que descrevem.
Apenas limita-se a argumentar
que uma alta é equivalente
a uma pressão de demanda,
e uma baixa, uma pressão
de oferta. A teoria nos
fornece as indicações
quanto às tendências e
sinaliza os impulsos dos
preços em seus movimentos
de alta e baixa.
Independente da limitação
apontada, a teoria de
Dow, associada aos gráficos,
tem-se mostrado extremamente
útil aos investidores
dos mercados de ações,
e mesmo aos de commoditties
e derivativos.
A
teoria de Dow está voltada
para a identificação das
tendências principais
do mercado e para as indicações
de reversão dessas tendências.
Para tanto, utiliza-se
de técnicas de traçado
de linhas de tendências,
da identificação de formações
que sinalizam essas tendências,
do estudo em termos de
oferta/demanda, das descontinuidades
nas cotações dos ativos
(gaps), e de seus níveis
máximos e mínimos atingidos
em passado imediato, que
se transformam em suporte
e resistência.
O
mercado apresenta movimentos
oscilatórios de 3 amplitudes
distintas:
a)
longoLongo prazo, compreendendo
períodos de 1 ano ou mais;
b) médioMédio prazo, com
duração que vai de 3 semanas
a 1 ano; c) curtoCurto
prazo que compreende oscilações
com duração de 6 dias
a 3 semanas.
A
esses movimentos de longo
prazo, médio prazo e curto
prazo designamos de tendência
primária, secundária e
terciária, respectivamente.
A
tendência primária é a
tendência principal de
um mercado. É um movimento
longo que pode ser de
alta ou de baixa ou lateral,
e que leva a uma grande
valorização ou desvalorização
do ativo ou variação dentro
de uma faixa de preço.
Não existem regras matemáticas
para definir o tempo de
duração das tendências.
As
tendências não se movimentam
em linha reta. Ao observarmos
o comportamento do mercado,
percebemos que o movimento
dos preços acontece como
um zig-zag ou em forma
de ondas. Em um mercado
de alta, após um impulso
para cima que forma um
novo topo, temos uma correção
que forma um novo fundo.
Em uma tendência de baixa
o oposto acontece; após
uma queda que forma um
fundo mais baixo, acontece
uma reação que cria um
topo mais baixo.
O
conjunto desses impulsos
e correções dentro de
uma tendência primária,
forma a chamada tendência
secundária. Uma tendência
secundária dura de 3 semanas
a 1 ano e pode corrigir,
isto é, recuar até 66%
da tendência primária
da qual faz parte. No
entanto, se superar os
66%, podemos afirmar que
a tendência primária sofreu
reversão, iniciando uma
tendência de baixa.
As
tendências terciárias
fazem parte das secundárias.
São movimentos menores
de, em média, até 3 semanas.
Quando
estamos analisando o mercado,
é interessante classificar
as tendências do movimento
atual; assim, podemos
avaliar melhor as ações
a serem tomadas dentro
de nossa estratégia operacional.
Diz-nos
a teoria de Dow que, se
um segundo movimento,
em sentido contrário à
tendência primária, não
anular mais de 66% do
último impulso (movimento
anterior), então se trata
de uma tendência secundária
de correção. Diz mais,
o intervalo de correção
para a tendência secundária
situa-se entre 33% e 66%
do último movimento que
leva de uma correção secundária
anterior até a que se
está testando.
Concluída
a fase de alta perceptível,
quando a alta é sinalizada
e confirmada, as quantidades
negociadas apresentam
elevações consideráveis.
Na
terceira etapa, designada
na teoria de Dow, por
etapa de euforia, as quantidades
negociadas se elevam e
as informações sobre o
papel vão ganhando plena
transparência até atingir
o pleno ajuste do preço
ao seu conteúdo. A aceleração
do movimento de alta (euforia)
tende a diminuir à medida
que o tempo passa e o
preço tende para seu nível
ajustado, quando então
se inicia um processo
de realização de posições
adquiridas nas fases precedentes,
formando os níveis de
resistência à elevação
de seu preço. Esses níveis
de resistência são crescentes,
o que determina a desaceleração
do movimento de alta.
Por fim, é atingido o
nível máximo de resistência,
definido como o limite
superior que o preço do
papel pode atingir sem
que a pressão de oferta
seja dominante. Este processo
em sua fase final é chamado
de "overbought" (supercomprado).
Nesse
ponto termina o movimento
de euforia, e tem lugar
a apreensão. O grupo "por
dentro", que já iniciou
suas realizações de lucros,
dentro da mesma estratégia
de dissimulação, se torna
mais agressivo, e tem-se
o início de uma avaliação
dos preços, que é a etapa
de distribuição (a distribuição
é um movimento lateral).
O "dinheiro esperto",
isto é, aquele que entra
primeiro e sai primeiro,
começa a constatar que
os fundamentos não são
tão bons e inicia o processo
de venda de forma suave,
sem pressionar os preços
para baixo. A segunda
fase da tendência de baixa
começa a ser delineada,
pois os "traders" estão
vendendo. Na última fase,
temos o pânico, com a
presença de notícias altamente
pessimistas e o público
tentando se desfazer de
suas posições a qualquer
preço.
5.3
Os índices devem confirmar
a sinalização
Conforme
dito anteriormente, Dow
afirmava que um conjunto
de ações fornece uma boa
indicação da "saúde" do
mercado e, por este motivo,
publicou um índice composto
por 11 ações (9 ferroviárias
e 2 industriais). Abrimos
um parêntese para uma
explicação: quando Dow
desenvolveu sua teoria,
um dos setores de prestígio
nas Bolsas era o ferroviário,
por estar em processo
de crescimento contínuo,
na esteira do crescimento
dos Estados Unidos para
o interior do país. Atualmente
este setor não é negociado
nas Bolsas de Valores,
tendo sido substituído
por setores mais modernos,
como o da tecnologia de
ponta.
5.4 O volume deve confirmar
a tendência
Se
o mercado é de alta, o
volume deve ser crescente,
para se ter confiança
neste movimento; nas correções
o volume deve ser menor
(decrescente). Da mesma
forma, numa tendência
de baixa o volume deve
ser alto quando os preços
caem, e baixo quando os
preços sobem.
5.5
Uma tendência prossegue
até se ter uma indicação
contrária
Este
é um princípio muito importante
na análise técnica, a.
Apesar de que, devido
a ele, o analista não
aproveita tanto o começo
de uma tendência quanto
uma parte significativa
do seu término, por entrar
e sair geralmente um pouco
atrasado. A verdade é
que não existe uma fórmula
mágica ou um método que
permita a entrada exatamente
no preço mínimo e a saída
exatamente no preço máximo,
ou vice-versa. No entanto,
é possível criar uma estratégia
para comprar na baixa
e vender na alta, idéia
defendida pelo Barão de
Rothschild.
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